Luto: Entendendo sua repercussão nas nossas vidas.

Quando você ouve a palavra LUTO, pensa logo naquele período – normalmente o espaço de um ano onde as pessoas que perdiam algum ente querido vestiam-se de preto, cultuando e chorando o seu morto?

Caso a resposta tenha sido positiva, temos uma série de reflexões a fazer.

Entende-se como luto, o conjunto de reações, que surgem diante de uma perda significativa em nossas vidas. Fazem parte dessas reações a tristeza, a desmotivação, os pensamentos depressivos, a sensação de vazio, a raiva, dentre outras emoções.

Diante disso, percebemos que o tema é muito mais abrangente e com muito mais desdobramentos, do que o falecimento de um ente querido.

A perda de um emprego, o fim de um relacionamento, a saída de um filho de casa, ou até mesmo o nascimento de uma criança indesejada, podem ser geradores de lutos, nos mais variados graus e em diversas nuances emocionais para quem os vivencia.

Identificou-se com alguma dessas situações?

Pois saiba que, longe de ser algo negativo ou indesejado, o luto é necessário, uma vez que é através dele que elaboramos as perdas e ressignificamos o novo momento e o novo caminho a seguir, sem aquilo ou quem se perdeu.

Reprimir as lágrimas, ou fazer de conta que nada está acontecendo não é o melhor caminho a seguir, uma vez que a angústia continua presente e, em algum momento, virá à tona, muitas vezes na forma de adoecimentos que podem ser emocionais e também corporais.

Falar a respeito das perdas, das dores que sentimos, é uma forma de, aos poucos, irmos elaborando essas lacunas formadas diante das partidas ou rupturas.

A sociedade ocidental, nos últimos anos, tem buscado de todas as formas, nos afastar de todo e qualquer tipo de dor e isso tem nos deixado cada vez mais fragilizados e despreparados para lidar com as perdas. É necessário que comecemos a encarar nossos lutos como aquilo que realmente são: reações naturais e esperadas, diante das perdas, pois só assim, conseguiremos caminhar no sentido da compreensão da dor, não de forma masoquista, mas olhando-a como mecanismo de crescimento e fortalecimento.

E, enquanto não aprendermos a identificar e elaborar nossos próprios lutos, continuaremos despreparados para lidar com o luto do outro, fazendo todo o possível para ignorá-lo e minimizar a dor que dele surge, uma vez que aquilo que vem do outro e encontra repercussão em nós, nos gera angústia e desejo de fuga.

Vamos refletir?

Monica Martinez
Psicóloga Clínica – CRP 06/123494