8 de março – Sobre um Dia das Mulheres além das flores…

Dia 8 de março é o Dia das Mulheres. Um dia que é lembrado e comemorado em todas as partes do mundo. É a data na qual pais, filhos e maridos presenteiam suas filhas, irmãs, esposas e mães com flores…

 

Mas será que é só sobre isso?

 

Um pouco da história…

 

Voltando na história, o Dia das Mulheres surgiu de uma série de movimentos  que ocorreram entre o final do século XIX e início do século XX. As trabalhadoras se posicionavam contra as péssimas condições às quais eram submetidas: horas excessivas de trabalho, em conjunto com diversos tipos de abusos e assédio sexual. Protestavam também contra o trabalho infantil – extremamente comum na época, e igualmente devastador. 

 

Em 1910 foi quando surgiu a primeira proposta de criação da data. Clara Zetkin, professora e jornalista alemã, foi uma das mais importantes na organização do movimento das mulheres. Ela idealizou o Dia das Mulheres como uma data, não de comemoração, mas para que todas pudessem se reunir para refletir sobre seus avanços e planejar novos movimentos.

 

O Dia Internacional das Mulheres foi oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas) apenas em 1975, muitos anos depois. O dia 8 de março faz referência à Greve das Mulheres contra a guerra, ocorrida na Rússia em 1917. No calendário antigo russo, seu início seria no dia 23 de fevereiro, mas no calendário gregoriano – atualmente utilizado por nós –, essa data corresponderia a 8 de março.

 

E o que mudou?

 

Após esse breve histórico, podemos observar que as discussões sobre a posição da mulher na sociedade não são recentes e muito menos escassas. Entretanto, continuamos lutando e tentando solucionar as mesmas problemáticas. 

 

 “Não se nasce mulher, torna-se mulher” 

 

Como já observava a existencialista Simone de Beauvoir, em seu livro “O segundo Sexo”, de 1949 – quase 40 anos após os eventos históricos citados e, ironicamente, 75 anos atrás —, o “ser mulher” que somos levadas a acreditar como verdadeiro, na realidade, é uma construção

 

Muitos insistem na ideia de um “ser mulher” submisso, doméstico – ou domesticado –, frágil e excessivamente sensível, quase irracional. Somos ensinadas a acreditar e aceitar que a mulher, de fato, é um “segundo sexo” – daí o título do livro –, como se houvesse o pressuposto de que o homem é o ser original, e a mulher uma variação imperfeita e inferior deste. 

Apesar da conquista de uma gama de direitos e de um avanço considerável da própria sociedade em pautas sociais, a estrutura que coordena esse tipo de mentalidade se mantém,  assombrando, controlando e contaminando a subjetividade feminina. 

 

Tornamo-nos mulheres uma vez que, desde a infância, somos ensinadas qual é nosso papel, e instruídas a desempenhá-lo. Ensinamos nossas meninas a fazer as tarefas domésticas, enquanto seus irmãos jogam vídeo-game. Reforçamos, desde muito cedo, que a mulher tem a função de servir, e o homem de mandar.

 

E continuamos, de fato, servindo. Para ser a mulher perfeita é preciso atingir padrões estéticos inalcançáveis. É preciso ser natural, não usar maquiagem, nem fazer qualquer procedimento estético. Mas, ao mesmo tempo, ter celulites, rugas e estrias não é atraente. É necessário ser feminina, mas não ao ponto de ser considerada fútil. É preciso ser inteligente, mas não tanto, porque o excesso pode ser encarado como sinônimo de arrogância. Podemos até trabalhar fora, mas a responsabilidade pela casa e pelos filhos continua sendo da mulher. 

 

Vivemos em um ciclo vicioso no qual, não importa o que se faça, parece que nunca é o suficiente. Mas é preciso lembrar que não há nada de natural ou inato nessas exigências e expectativas. 

 

Portanto, neste 8 de março, celebre o seu feminino, afinal, é em sua pele que, todos os dias, você vivencia o que de fato é ser mulher. 

 

Porém, não esqueça da origem da data. Não esqueça das milhares – ou milhões – de mulheres que lutaram para o nosso avanço até aqui. E que, todo ano,  possamos lembrar desse dia, não apenas pelas flores que recebemos, mas pelo símbolo de resistência que ele representa. 

 

Equipe Harmonie

 

Texto: Anna Carolina Cavalheiro

Arte: Isabela Lima

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