Muito provavelmente você conhece alguém que diz não gostar do Natal. Ou, pode ser também, que você mesmo seja essa pessoa.  “É uma época triste”, “acho uma festa sem sentido”, “mais uma data comercial”, são alguma das afirmações comuns de se ouvir em dezembro.

Para as pessoas que participam das datas comemorativas do calendário ocidental, o Natal imprime significados diversos e muitas vezes ambivalentes, mesmo quando não faz parte das celebrações que costumam comemorar, seja por questões religiosas ou por alguma preferência pessoal. E, certamente, você também já percebeu que nesta época as pessoas parecem estar mais nostálgicas, mais reflexivas e quiçá até expressando ares mais melancólicos. E por quê será que isso acontece?

Estamos todos inseridos em um contexto marcado pelos aspectos culturais, sociais e históricos, e isso também significa que nos relacionamos através dos rituais. As datas comemorativas de nosso calendário marcam estes rituais, de maneira a celebrar os grandes marcos da vida: o nascimento de um bebê, os bailes de debutante, as festas de casamento, as cerimônias fúnebres, todos estes são rituais que marcam a nossa experiência humana e social. São momentos de celebração que nos permitem nos aproximar e também nos reconhecer. Acontece que, da mesma forma, a experiência humana também é pautada por significados que cada um de nós imprime de maneira muito particular a uma mesma situação. As festas de final de ano, para além do significado religioso que a cultura ocidental institui, trazem consigo o marco do final de um ciclo; o momento em que rememoramos as conquistas e as faltas do ano que chega ao fim. É um ritual que nos guia também a fazer uma “faxina interna”: o que se passou em minha vida? Que ciclos comecei e quais ciclos encerrei?  Quem chegou e quem partiu? Naturalmente, fazemos um balanço pessoal e nos deparamos com os encontros e despedidas, com situações as quais tendemos a nomear como sucesso ou como fracasso, além de lidar com a incerteza do novo que se aproxima, e não podemos negar que é geralmente muito angustiante viver despedidas e começar coisas novas.

Para muitas pessoas, esta também é uma época que pode causar muita dor emocional. Os apelos diversos da mídia, que trazem imagens de famílias felizes reunidas e a satisfação estampada pela troca de presentes, podem despertar lembranças dolorosas e sentimentos de falta, com os quais muitas vezes não sabemos como lidar. A boa notícia é que estes são sentimentos pura e simplesmente humanos e que está tudo bem expressá-los. Está totalmente liberado chorar porque tem algo doendo dentro de você, mesmo que isso ainda não tenha um nome ou um motivo grandioso que justifique tais sentimentos. Pode ser que este tenha sido um ano especialmente difícil, e, se pensarmos em todas as mudanças que vivemos e as grandes perdas que compartilhamos a nível mundial, 2019 pode ter pegado um pouco pesado. Assim como pode ser, também, que você tenha vivido alguma perda pessoal significativa, e está tudo bem sentir tristeza ou cansaço e encontrar uma forma sua de expressar isso. Neste momento, é interessante que você possa pensar em alguém a quem possa recorrer caso perceba que as coisas estão doendo mais do que você consegue dar conta, uma pessoa que, em psicoterapia, costumamos chamar de “contato de referência”: alguém com quem você se sinta a vontade para desabafar e expressar sua angústia, de forma que consiga se sentir mais confortável.

Mesmo que surjam muitos apelos, de diversas fontes e canais, convidando para a expressão de sentimentos de alegria e disposição durante as festas, uma das melhores maneiras de cuidar de si mesmo é validar seus sentimentos com acolhimento e respeito, fazendo aquilo que é confortável e possível para você fazer. Uma dor acolhida é uma dor possível de ser superada e transformada em histórias bonitas para contar.

Desejamos a você um tempo de cuidado e novas possibilidades!

Abraços

Equipe Harmonie

Texto escrito carinhosamente por nossa amiga, a psicóloga Juliana Piccoli

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